segunda-feira, 20 de junho de 2011

Maratona de São Paulo

Como muitos dos leitores que acompanham esse blog sabem eu também sou treinador de corridas, trabalho que retomei no ano passado e com mais firmeza este ano, sou personal trainner e tenho o orgulho de pertencer a equipe de profissionais da Branca Esportes. Sendo assim, esse ano eu fui a maratona de São Paulo como treinador e não como atleta, fui acompanhar alguns atletas que dou treino particular e aos atletas de treinamento coletivo da Equipe Branca Esportes.
Este ano observei a prova de bicicleta e pude acompanhar a prova de alguns pontos, como na largada, km 12, km 15, km 21, km 24, km 30, km 35, km 40 e chegada. A prova foi este ano muito rígida com os atletas, principalmente para aqueles que iriam fazer a prova em mais de 4 horas, a umidade do ar estava baixa e eu não precisava de nenhum instrumento para perceber que a qualidade do ar estava péssima.
Eu li alguns comentários de amigos, e realmente concordo que a prova da pouca atenção aos atletas mais lentos, era visível que faltava apoio, para eles, fiquei na prova até o último chegar e considero todos que realizaram a prova acima de 5 horas, verdadeiros heróis, pois corriam praticamente abandonados pela prova, apesar de a estrutura ainda estar armada, já era possível observar a movimentação da organização da prova para encerrar a estrutura, isso abala muito e se torna mais um grande obstáculo para os atletas. A minha sugestão é que a largada da prova seja mais cedo e que a organização se programe para dar mais apoios a partir do KM 30, colocar mais staffs na USP, colocar mais bandas, e mais gente ajudando, com certeza isso faria mais pessoas completarem a prova.
Perdi a conta de quantas pessoas eu atendi, quer seja com alongamento, com soro, com ajuda psicológica ou com comida, sendo que quase todos não eram meus atletas, isso não custa muito, e dentro dos custos de uma prova não significa nada.
Foi emocionante ver todos os nossos atletas atingirem o objetivo, quer seja nos 10km, quer seja nos 25km ou na maratona.
Poucos tiveram problemas e o que tiveram já se encontram bem.
Acho que a exaustão psicológica ontem foi maior que todas as maratonas que já fiz, mas a recompensa foi ótima.
Seguem fotos de alguns atletas de nossa equipe.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Bertioga x Maresias maio 2011

No sábado passado (28/05), eu encarei novamente os 75 km da prova Bertioga x Maresias. Esta prova é significativa para mim, pois foi lá que estreei nas ultras. No entanto estava, com certo receio, após o problema muscular sentido na BR e sem saber ao certo como me sentiria nesta dura prova. Porém sabia que este seria o momento adequado, estava precisando de um desafio ainda este semestre, para exorcizar alguns monstros na minha vida pessoal e profissional e sabia que este desafio me daria o indicaria o norte.
Uma vez decidido a fazer a prova, decidi também não levar apoio de bike ou carro, não queria compromisso com ninguém, era o momento solo. Porém nessa mesma barca encontro o Gentil na mesma situação e assim fomos os dois para Bertioga ambos querendo exorcizar o monstro dos 75 km.
Chegando a Bertioga, precisávamos de um carro para levar até a chegada as nossas mochilas, para que pudéssemos nos trocar em Maresias, e lá veríamos um taxi ou uma carona para retornar para Bertioga.
Largamos, todos os solos as 6:45h, logo no início eu e Gentil colocamos um ritmo em torno de 6’40’’ por km, e o incrível foi que mantivemos esse ritmo até o final da prova, tirando as serras que tivemos que caminhar, conseguimos imprimir o mesmo ritmo a prova toda, foi sensacional.
Essa prova para quem não conhece, além da categoria solo,têm a maioria dos corredores fazendo a prova em equipes, podendo ser de três, seis ou nove corredores. As equipes largam após a categoria solo, por essa razão era comum encontrar vários atletas aguardando os seus companheiros chegarem aos PCS da prova, e esse era o momento que eu me reabastecia de energia, era sensacional dar risadas e brincar com todos, que devolviam as vibrações, e calor humano, que nem a chuvinha que insistia em cair conseguia esfriar.
Os atletas da categoria solo tinham uma numeração com cores diferente e estava escrito solo, por essa razão éramos logo identificados por outros atletas, que faziam questão de sempre que passavam correndo por nós, dizer palavras de incentivos e de admiração. Isso nos motivava.
Sem combinar direito eu e o Gentil fizemos a prova inteira juntos, conversamos bastante e incentivamos sempre um ao outro.
Em 8h e 33min (nosso tempo final) de prova muita coisa acontece, emoções chegam à flor da pele, porém nessa prova tive apenas boas emoções sempre externadas por sorrisos, gestos e no final por choro.
O monstro está morto, a chuva passou e o domingo foi de sol.
Agradecimentos especiais aos amigos:
Manequinho: Por levar as nossas mochilas até o final
Didi, Miguel e Cristiane: pela carona de volta a Bertioga
Douglas, Carlos e toda família Top Notch pelo incentivo nessa e em todas as provas, e pelas fotos lindas do Carlos.
Cynthia e Oswaldo pela força no começo da prova, aviso que vimos vcs no final fazendo a ultima subida e espero que tenham terminado muito bem.
Família Branca Esporte: representada pelos atletas que fizeram a prova na categoria revezamento
Alexei, pela força e pelas fotos sensacionais no percurso.
Gentil, parabéns e valeu pela companhia.
Valeu!!








Como eu disse risos e choros, ambos de alegria!!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Mais leve

Eu tenho um problema... na verdade eu não gosto da balança e a ela não gosta de mim. Já faz muito tempo que apesar dos treinos longos, eu não conseguia emagrecer e na verdade estava sempre ganhando peso, o que me levou aos ridiculos 82 kg em janeiro deste ano, só para avisar aos leitores eu tenho 1,68m de altura. Ou seja eu estava pesado. E começo até a associar a lesão na BR ao meu peso também.
Resolvi emagrecer, botei ordem na alimentação e estou encarando comer como treino, e estou levando a sério. Resultado de fevereiro para cá foram embora 7,5 kg. Já me sinto bem mais leve correndo e também estou mais veloz. Não tenho estrutura para ser nenhum queniano (nem tenho vontade) mais deixar em casa mais de 7kg para correr, deixa tudo bem mais fácil.



Foto em novembro 2010 com quase 80 kg e com uma barriga maior que da Tania que na época estava com 7 meses de gravidez




Foto neste domingo ao lado de minha atleta Celina

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Recomendo


Caros amigos do Sudeste e do resto do Brasil.
Existe um Ultra chamado Carlos Dias que está encarando um mega desafio, onde nenhum ultra do mundo jamais ousou.
O Carlos está encarando uma ultra de 365 dias, ele começou essa aventura em setembro do ano passado saindo de São Paulo. A idéia dele é percorrer 18.250 km por todo o Brasil. até agora ele já percorreu o centro oeste, Norte e Nordeste do Brasil e hoje está entrando na região Sudeste, na sexta feira deve chegar em Vitória.
Peço aos amigos que acompnaham este blog que comecem a acompanhar essa aventura chamada de Desafio Passos Solidários - Volta ao Brasil. Todos nós podemos participar, comprando quilometros desse desafio que será revertido para a GRAAC.
Quem puder acompanhe os passos de um de nossos maiores atletas e se puder recebam ele em sua cidade, pois a passagem dele é breve, mas o que fica é para sempre.
Para saber mais do Carlos clique aqui

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Pensamento do treino Longo...

Voltei as rodagens no final de semana.
Neste sábado fiz 44km (correndo) + 6 km caminhando, totalizando um treino de 50 km.
Durante a rodagem tive momentos de companhia de meus amigos Danilo (jaba), Nato e Zé. Porém boa parte do treino rodei sózinho.
Pensando durante o treino, comecei a entender mais sobre valores, porque algumas pessoas dão valores diferentes as coisas, seria coisas que o ser humano nasce, ou seriam uma somatória de experiências. Linhas de raciocínios levam a discussão em diferentes direções, mas penso que prefiro sempre o caminho que experiências sociais, como educação, amor e carinho moldam o ser humano. Não posso acreditar que alguém é mal ou bom por algum fator genético, só pode ser boa pessoa, aquela que pratica o bem, só pode amar aquele que pratica o amor.
O paralelo me veio na corrida, pois sabemos que pessoas são mais aptas que outras geneticamente para uma atividade fisica, porém essa aptidão pode ficar escondida pelo resto da vida. É muito simples alguém falar para uma pessoa que ela não pode correr, porque simplesmente ela não tem o biotipo, ou que geneticamente nasceu no continente errado. Todos podemos ser o que quisermos, se realmente praticarmos e treinarmos. É muito cômodo achar uma razão genética ou uma desculpa física para por limites as coisas boas que podem acontecer com seu corpo ou sua vida.O dificil é praticar, o difícil é treinar bastante, o difícil é rodar 5 ou 6 horas no final de semana, o difícil é olhar para um amigo e perceber que ele precisa de ajuda sem que ele peça.
Isso é treino, e a pessoa tem que sair de sua zona de conforto para isso, temos que sempre prestar atenção na passada, prestar atenção em nós e principalmente olhar diferente para os outros.
Eu estou treinando, e como vocês podem ver a cabeça está viajando.

terça-feira, 26 de abril de 2011

De volta a rodagem

Faz tempo que não posto nada, mas também faz tempo que não rodo nos treinos.
Mas agora voltei!!
No sábado rodei 38 km, pretendo neste próximo sábado rodar 50km, tudo para me preparar para a prova Bertioga x Maresias de 75 km que será no mês que vem.
Me sinto bem!!
Agora com a rodagem a inspiração vem e com certeza virão mais textos.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Origem da Motivação

Ainda estou de molho e tratando o meu joelho, semana que vem volto aos treinos.
Hoje estou um pouco nostálgico, mas acho que de uma forma muito positiva, pois como diz Paulinho da Viola “Eu não vivo do passado, o passado é que vive em mim. O meu tempo é hoje.”
Minha carreira esportiva começou ainda com 11 anos, no ciclismo. Naquele tempo eu brincava de treinar e brincava de competir. Eu cresci na cidade de Santos, mais especificamente no bairro da ponta da praia. Meu pai sempre me diz que a minha infância foi a última de menino na rua, sei que ainda existem cidades no interior desse nosso país onde crianças ainda crescem brincando na rua, mas na maioria das cidades, inclusive em Santos, as crianças crescem brincando em casa, em clubes ou em condomínios, tenho saudades daquela sensação boa de liberdade...
Voltando ao assunto, eu brincava, digo treinava ciclismo nas ruas do Bairro da Ponta da Praia e na Avenida Portuária, mas apesar de me divertir com os treinos, eles eram muito sérios, com direito a ritmo, sprint e tudo mais, que os mais experientes me mandavam fazer.
Todo domingo havia competição na baixada, e sempre foi muito legal, pois tenho a sorte de ter uma família muito unida. Meus pais, minhas irmãs e meus avós, acordavam antes das 7:00h da manhã todo domingo para me verem nas competições, incentivo não faltava! Logo cedo eu chegava na avenida dos portuários e via que o Vô Tonho já estava lá desde antes da 7:00h da manhã ajudando os agentes do trânsito, a fechar a Avenida Portuária para as competições do dia. Vô Tonho por sinal era uma figura carimbada nas provas, conhecido como Dr Neves, era famoso por conhecer de tudo (pelo menos ele tinha certeza de conhecer tudo), e era comum ver colegas e ciclistas pedirem orientação ao meu avô, mas sempre tive para mim que o Vô não sabia nem andar de bike... Acho que minhas irmãs vinham também por diferentes razões, pois é difícil de entender que duas adolescentes optem por acordar cedo no domingo para passar a manhã assistindo corridas de ciclismo do irmãomais novo. Denise, minha irmã mais velha tinha a justificativa de ir ver o namorado da época que também competia, por sinal o Cléo foi também um grande incentivador. E tenho para mim que a miha outra irmã a Daniela ia paquerar alguns ciclistas mais profissionais que competiam por lá. Porém independente das segundas intenções, sempre foi muito claro que a torcida delas por mim era genuína e sempre me lembro com satisfação em saber que naquele momento as minhas irmãs que sempre foram e ainda são foco de minha admiração, estavam lá torcendo por mim, vibrando com as vitórias e ao lado nas derrotas, como era legal isso. Minha mãe estava lá para o que der e vier e sempre mandava frases e incentivos bem legais bem na hora que passava por perto, já meu pai mais comedido era mais discreto, mas sabia exatamente o que falar nos finais das provas. Minha Vó Lucia , a imagem mais legal que tenho dela nessa época, é de ela estar no fundo de uma foto saltando com as mãos levantadas, enquanto eu erguia as mãos do guidão da bicicleta ao vencer uma corrida. Infelizmente não encontro mais essa foto.
É incrível que mais de 25 anos depois, percebo que algumas coisas não mudam, meus pais ainda se preocupam e torcem por mim em minhas empreitadas esportivas, minhas irmãs torcem e me enviam mensagens após os meus desafios de ultramaratonas, minha vó continua torcendo muito, pena que os 94 anos não permitem saltos de comemorações, já o vô Tonho, esse deve estar provavelmente ensinando algum anjo como ele deve fazer para conseguir alcançar maiores vôos otimizando os ciclos de batidas de asas, apesar dele nunca ter voado.